sexta-feira, setembro 09, 2016

AQUARIUS

O LAR DE CLARA


O burburinho que "O Som ao Redor" causou, ao tentar uma vaga entre os indicados ao Oscar, fora o artigo da New York Times, onde um critico o colocou entre os melhores filmes realizados em 2012, ocasionou uma expectativa enorme em torno do próximo trabalho do cineasta Kleber Mendonça Filho.
A polêmica em torno de manifestações politicas, e a equivocada classificação 18 anos (agora 16 anos) colocou  "Aquarius" no centro da roda de várias discussões acaloradas e o hype só aumentou.
E "Aquarius" é realmente um filme que merece toda e total publicidade direta ou indireta, pois é uma daqueles filmes que mereciam um espaço maior e a atenção de um público que no geral, não se interessa muito em cinema de verdade, e sim apenas entretenimento.
Era bem possível que "Aquarius" passasse batido em meio a diversas opções escapistas hollywoodianas e ganhasse apenas o prestigio de um nicho cinéfilo.
Que bom que não é isso que aconteceu.

Há tantos acertos no filme que é difícil saber por onde começar, mas talvez é melhor destacar logo de cara a atuação sensacional de Sônia Braga.
É ela a força motriz da trama, a única moradora de um edifício que esta condenado aos olhos da construtora e dos filhos.
Irredutível, ela refuga a ideia de sair de seu lar, um lugar que evoca inúmeras lembranças e, pelo que é mostrado, em cada canto, há inúmeras histórias contida em cada objeto.
Kleber é inegavelmente um cineasta talentoso, aqui ele esbanja talento e técnica com seus ângulos e enquadramentos de câmera de encher os olhos, a soma disso é a energia solar de Sônia Braga, uma atuação magnética, terna e de diversos nuances. 
Fica praticamente impossível não se render a personagem.


Em "O Som ao Redor", os elementos de terror/suspense eram presentes e davam um ar de estranheza, em "Aquarius" existe uma permanente aura de ansiedade, uma sensação incômoda de que algo ruim possa acontecer, muito característico dos melhores filmes de suspense.
E é esse recorrente estado de alerta que deixa "Aquarius" muitissimo mais interessante, não sobrepondo  as questões sociais no enredo que  já existiam na produção anterior.
Aliás, achei  "Aquarius" mais acessível, com uma estrutura bem mais convencional, porém, os elementos oníricos, lúdicos, de terror (a cena da investigação do apartamento de cima é apavorante) e estranhezas estão lá, algo que já é marca do diretor.
Dono de um desfecho incrível, um elenco tinindo (Sônia é cercada por excelentes atores), uma direção e roteiro que são um primores, além da trilha sonora repleta de canções nostálgicas (Roberto Carlos, Taiguara, Queen) transforma "Aquarius" num belíssimo exemplo de cinema muito bem construído e o torna imprescindível.

NOTA ____9,0
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