quinta-feira, abril 14, 2016

A BRUXA

HÍBRIDO RARO

Os filmes de terror que chegam aos nossos cinemas podem ser divididos em duas categorias, por assim dizer: os alternativos e os comerciais.
Em sua grande maioria, os comercias chegam aos borbotões e infelizmente com uma qualidade bem ruim em absolutamente em todos os requisitos cinematográficos.
A ala alternativa é a que mais me apetece e a mais ignorada pelo público que por consequência óbvia não rende dinheiro que por sua vez acaba sendo ignorado também pelos distribuidores.
O resultado é deprimente, e se deparar com um produto realmente bom em matéria de terror se torna um esforço hercúleo de amargar.
Por isso é para se festejar a estréia de "A Bruxa" em circuito comercial, pois é um filme que não se rende em momento algum a fórmulas bobinhas e clichês pra lá de manjados dos blockbusters.
E o melhor, não tem receio de ser perturbador de verdade. 
Uma família se estabelece no meio de uma clareira depois de serem expulsas do vilarejo onde residiam. Religiosos fervorosos, vislumbram um novo começo, apesar do novo lugar ter como paisagem uma sombria e densa floresta.
Tudo começa a desmoronar quando o bebê da família some misteriosamente sob os cuidados da irmã mais velha, Tomasin (Anya Taylor-Joy) e os efeitos do isolamento se sobressaem com a paranóia instalada irremediavelmente.
Estamos em 1630 na Nova Inglaterra, e nessa época a crença em bruxas e misticismo eram mais do que reais e tão logo "A Bruxa" adentra nesse terreno.
O que mais me fascinou em "A Bruxa" é o hibrido muito bem acertado e raro entre terror psicológico e o sobrenatural.
O diretor Robert Eggers tem uma noção extraordinária do que esta fazendo com o seu filme, manipulando o público a pensar algo e nos pegar de calças curtas logo adiante.
Além de que, com suas alusões e metáforas, não entrega nada mastigado ao público, forçando a tirar suas conclusões e/ou deduções do que viu ou não viu.
"A Bruxa" é um filme que fora toda a preocupação com os detalhes (figurino, atuação, fotografia, trilha sonora, cenário, tudo funcionando perfeitamente) é sim perverso e causa profunda perturbação depois que sua metade sobrenatural é assumida de vez.
Caso raríssimo dentre as produções de terror atualmente, "A Bruxa" é de se fazer contorcer da cadeira de tensão, sem apelar pra chavões repetitivos.
É aquele típico caso de filme onde uma revisita o torna melhor, melhor e cada vez melhor.
NOTA 10
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