quinta-feira, fevereiro 11, 2016

CALIFÓRNIA

DE REPENTE...

Marina Person, é ainda mais conhecida por ter sido apresentadora da MTV  mas a verdade é que o cinema corre em suas veias desde sempre. Filha do cineasta Luis Sérgio Person que realizou nada mais, nada menos que "São Paulo S.A." dentre outras produções, Marina já tinha feito um documentário a respeito do pai, falecido por conta de um acidente.
Agora com "Califórnia" ela estreia em um longa metragem de ficção, e que bela estréia é essa!
O pano de fundo é o Brasil de 1984, época conturbada na política (Diretas Já) e a eclosão da AIDS,  Estela (a ótima Clara Gallo) vive às voltas com seus paqueras da escola e a vontade irresistível de fazer companhia ao tio que vive na Califórnia.
A chegada de um aluno novo ( o também ótimo Caio Horowicz) e a volta repentina do tio (Caio Blat) ao Brasil vão desestabilizar por completo Estela, que terá que lidar com as frustrações e o receio de um outro caminho que de repente surge para trilhar.
Nostálgico e doce, "Califórnia" é um desbunde para quem cresceu nos anos 80 devido as referências que Marina Person conseguiu imprimir em seu filme, desde os detalhes das roupas dos personagens, apetrechos no quarto de Estela e principalmente as canções de sucesso da época.
David Bowie, Echo and the Bunnymen, New Order, The Cure, Metrô, Blitz, Kid Abelha fazem parte da trilha sonora através de músicas facilmente reconhecíveis e que  nos transportam imediatamente para o passado.
Mas fora a fantástica escolha das músicas, "Califórnia" é inteligente em não se desviar das questões da protagonista, há sim a questão do HIV que particularmente a afeta mas sabiamente não se sobressai no filme, aliás há uma tocante cena aparentemente simples mas que emociona por conta de sua delicadeza envolvendo Estela e seu tio já muito doente.
É nessa doçura que o filme conquista de vez, indo além das público nostálgico, através de personagens muito bem delineados, sobretudo a protagonista e J.M., um garoto com opiniões muito a frente do seu tempo.
Se fosse apontar algum defeito, seria talvez os pais de Estela que me pareceram presos em algum tipo de esteriótipo,  no entanto, diante de tantos acertos "Califórnia" é gostoso de assistir e impressiona o carinho perceptível de Marina Person na direção.
É belíssimo.
 
NOTA _____10
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