segunda-feira, janeiro 25, 2016

BODY

DE CORPO AUSENTE

"Body" é um desses filmes que levanta uma avalanche de questões sobre a vida, a morte, a espiritualidade e , no caso, relações familiares através de muitas metáforas e signos que se você não estiver disposto a decifrá-los terá perdido um ótimo filme que permanecerá mesmo depois de seu desfecho.
Dirigido pela polonesa Malgorzata Szumowska e premiado no último Festival de Berlim, "Body" causa estranhamento de início, principalmente por mesclar gêneros distintos como suspense, drama e uma pitada de comédia.
Mas é justamente esse misto que deixa o filme com um frescor em meio a tanta produção que segue fielmente o quadrado dos roteiros comuns, procurando o encaixe em algum genero.
A cena inicial já  é a pista do tom que haverá no filme, onde acompanhamos um morto que sem mais nem menos caminha entre os policiais e investigadores , que olham espantados para o corpo em movimento.
Um deles é Janunz (Janunz Gajos) que demonstra frieza ao lidar com a morte diária no seu trabalho, sua relação com a filha anorexa (Justyna Suvala) também não é das melhores e depois da morte da esposa tudo parece ter piorado.
Com o intuito mais de se livrar da filha do que ajuda-la, ele a leva a terapia em grupo, lá a terapeuta Anna (Maja Ostaszewska) tem o dom da mediunidade e resolve transmitir uma mensagem da falecida esposa à Janunz.
É nos detalhes que percebemos o quanto a morte acabou por fim modifica-los de alguma maneira.

Januz é uma pessoa que não acredita em espíritos ou mediunidade, assim como a maioria da população da Polônia. Anna perdeu o filho e descobriu o dom da comunicação com os mortos logo em seguida a perda.
Já Olga, a filha de Januz, lida muito mal com a morte da mãe, castigando o próprio corpo com a anorexia e também, de alguma forma, chamar a atenção para o pai, cada vez mais perdido e de corpo ausente.
Esses três personagens sofridos vão ser dissecados pela diretora , que usa a espiritualidade para, no fim, reparar outros assuntos mal resolvidos.
Não é um filme espírita, não levanta a bandeira de qualquer religião e não esta preocupado em persuadir novos adeptos.
E mesmo assim, "Body" é respeitoso quando menciona o tema, fazendo referencias ao Brasil e à Chico Xavier , sem cair nunca  na pieguice.
Encerrado por uma belíssima cena ao som de "You'll never walk Alone", "Body" brinca com suas expectativas da melhor forma possível e fecha de maneira sutil, indicando o que realmente importava para o filme durante sua duração.
NOTA____ 9,5
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