quinta-feira, setembro 17, 2015

QUE HORAS ELA VOLTA?

 A SEGUNDA MÃE

O grande achado da diretora Anna Muylaert foi fazer com "Que Horas ela Volta?" uma produção que consegue dialogar tanto para um espectador que queira apenas se entreter no cinema, quanto aquele que deseja mais profundidade ao assistir algum filme.
Ou seja, é uma produção que não pende para uma popular comédia padrão Globo Filmes mas também não tem jeitão de filme-cabeça indecifrável onde apenas o diretor consegue entendê-lo.
As situações engraçadas (e há milhares delas) soam naturais e genuínas, sobretudo por conta da personagem de Regina Casé que  não força a barra para extrair do público um sorriso.
Ao mesmo tempo, as criticas sociais permeiam o filme inteiro e trás a tona questões que inevitavelmente gerarão reflexões.
Val (Regina Casé, brilhante!) é uma empregada  considerada "quase" da família dos patrões. Tanta dedicação acabou afastando e complicando sua relação com a própria filha Jessica (Camila Márdila, também ótima!) e talvez com um sentimento de culpa, acabou transferindo todo amor maternal ao filho dos patrões Fabinho (Michel Joelsas, o garoto agora adolescente de "O Ano em que meus pais Saíram de Férias").
Conformada em ser tratada com certo desprezo, Val vai seguindo a sua vida até saber que Jéssica esta chegando à São Paulo para tentar entrar numa faculdade de arquitetura.
Acaba sabendo que a mãe dorme no serviço, e inconformada gera conflitos em todos quando passa uns dias dormindo no quartinho abafado de empregada.
Jessica é inteligente, articulada e não consegue engolir o quanto a mãe é serviente.
Sua estadia causará problemas tanto na dona da casa Bárbara (Karine Telles) quanto em Val, que sabe que o seu lugar e o dos patrões já estão determinados e finge não entender os questionamentos da filha que a tenta fazer se valorizar.
"Que Horas ela Volta?" é rico em diálogos e em situações conflituosas empregado-patrão, mas sem ser maniqueísta, sem vitimizar empregado ou vilanizar patrões.
Bárbara é a que mais que se aproxima de  uma vilã, com suas falas repletas de preconceitos em torno de Val e Jéssica, mas se percebe que ela mesmo tenta lutar contra isso.
Sem mascarar as situações incômodas, o filme ao mesmo tempo não deixa de ser cômico, muitas situações são de rolar de rir e Regina Casé sabe como ninguém soar engraçada sem cair em trejeitos ou caretas.
Ela é a alma de "Que Horas ela Volta?" e o coração é Anna Muylaert que com seu roteiro e direção conseguiu realizar o seu melhor filme de sua adorável filmografia.

NOTA ____9,5
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