domingo, março 22, 2015

O ABUTRE

CHEIRO DE CARNIÇA

Eu já escrevi muitas vezes que eu tenho o maior apreço para personagens desajustados ou como os americanos pejorativamente chamam de "losers".
São personagens que deflagram uma variedade de nuances e complexidade, perder humaniza e os leva a percorrer terras inabitadas que invariavelmente os personagens pop não vão.
Lou Bloom (um ótimo Jake Gyllenhaal) é um daqueles sujeitos que vivem à beira do sistema, tentando sobreviver enfrentando sub-empregos numa metrópole onde a valorização do termo bem-sucedido é primordial.
Lou começa a enxergar nas gravações de acidentes amadoras o caminho para essa valorização profissional e o sucesso financeiro. Afinal, valemos pelo o que temos e não pelo o que somos.
Tentando aprimorar seu faro para desgraças, Lou deixa qualquer ética de lado quando se depara com um acidente ou crime, chegando a modificar até a posição de corpos para capturar um ângulo melhor.
Paralelamente, Nina (Rene Russo, também excepcional) depende de imagens impactantes para garantir o seu emprego num telejornal sensacionalista. É a junção da fome com a vontade de comer quando os dois personagens se encontram e formam parceria.

É preciso salientar a destreza nas atuações de Jake Gyllenhaal e Rene Russo, que nunca ultrapassam o limite de uma inverossímil vilania que poderia descaraterizar seus personagens
"O Abutre" consegue  levantar inúmeras questões ao decorrer de seu tempo e o diretor Dan Gilroy (em seu primeiro trabalho depois de anos como somente roteirista) não atenuará nas várias facetas sombrias que tanto Lou quanto Nina apresentam com extrema frieza.
NOTA____ 8,5
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1 comentários:

Bruno Mendes disse...

Este filme é sensacional! Nunca mais assisti (se bem que eu nem assisto ahaha), Cidade Alerta com os mesmos olhos.

Parabéns pelo site, resenhas sólidas e completas.

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