sábado, junho 09, 2012

SHAME

SEXO, PUDOR & LÁGRIMAS

Quando escrevi sobre "X-Men: Primeira Classe" lembro-me muito bem de ter elogiado Michael Fassbender, o quanto ele tinha se destacado dentre todo o elenco e vislumbrei um futuro promissor.

Não deu outra, Fassbender engatou inúmeros filmes e se tornou um astro.

Mas não um astro qualquer, pois suas escolhas não foram óbvias e nem tão fáceis (ele estrelou dentre outros “Um Método Perigoso” de David Cronenberg), e sua coragem e talento esta ainda mais evidente nesse “Shame”.

Antes de qualquer coisa, o filme de Steve McQueen esteve envolvido numa certa polêmica devido a teor sexual que é à base do roteiro, um homem viciado em sexo.

Obviamente já poderia se esperar por cenas envolvendo corpos nus dos atores principais (Fassbender e Carey Mullingan são vistos nus, sem a câmera ofuscar ou cortar nada), o que fez o público americano e britânico meio que ridicularizá-lo.
Bobagem sem tamanho, coisa típica de gente pudica que ainda se envergonha de ver sexo ou gente nua.

“Shame” é muito mais profundo do que possa aparentar, e só mesmo sendo muito bobo pra prestar atenção só na fornicação ou no Fassbender pelado.

Aliás, ele esta sensacional aqui como Brandon Sullivan, um sujeito com compulsão sexual que age de uma maneira quase que psicótica atrás da próxima vítima que ele irá pra cama.

Mas isso não basta, ele se masturba diversas vezes durante o dia, além de sempre dar uma olhada na coleção de filmes pornográficos que guarda em sua casa.

A chegada da invasiva Sissy (Mullingan), interrompe essa rotina de seu vicio, o que causa alguns conflitos entre os irmãos.

Apesar do tema apimentado, “Shame” me fez sentir angustiado, frio, e senti um certo distanciamento de Brandon com a platéia. Isso talvez seja o reflexo de seu comportamento sexual, pouco importa o nome, o  passado, a cara da pessoa, o importante é o sexo que ela tem a oferecer.

Pode acabar passando uma impressão meio que vazia no seu desfecho. Mas não é o caso.

Há cenas fantásticas que revelam e muito da natureza do protagonista, como quando ele corteja uma colega de trabalho e falha quando vão pra cama, ou numa cena reveladora em que Sissy canta “New York, New York” , e vemos Brandon segurar as lágrimas bravamente...

Mas não há respostas claras para o transtorno dele, ou a carência de Sissy.
As coisas são simplesmente assim e o cinema ganha um filme simplesmente incrível.
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