quarta-feira, novembro 02, 2011

MELANCOLIA

É O FIM



"Melancolia" começa de forma magistral que de cara já arrebata o público com a percepção mais apurada.

Em câmera super lenta, ao som do prelúdio de Tristão e Isolda, de Wagner., vemos imagens líndissimas e a principio desconexas. Durante o filme, entenderemos o porquê de cada cena.

Dividido em duas partes, acompanhamos primeiramente a festa de casamento de Justine (Kirsten Dunst, premiada em Cannes, e que arrasa aqui), num suntuoso casarão. Sua irmã Claire (Charlotte Gainsbourg) cuidou nos mínimos detalhes cada passo do evento, mas ela percebe que a noiva finge a alegria que os supostos sorrisos deflagram.

Com um histórico de depressão, Justine manifesta os resquícios da doença, em meio ao um insuspeito humor, a diálogos ácidos e uma câmera inquieta que percorre cada convidado da festa.

O planeta em rota de colisão com a Terra, pouco é mencionado nessa primeira parte. Mas sua luz brilhante esta lá, à espreita no céu.

O foco recai inteiramente em Claire na segunda metade e juntamente o medo, a apreensão e expectativa que a aproximação do planeta Melancolia traz.

Amparado por um elenco formidável, fotografia impecável. Lars Von Trier entrega um filme amargo, triste e.... melancólico. Há um humor deslocado aqui e acolá, mas o que fica impregnado definitivamente é a dor.

Grande novidade né?

Pra quem acompanha a carreira de Trier, e assistiu “Dançado no Escuro, “Dogville” ou “Anticristo” sabe que a tristeza permeia toda a sua filmografia. Pessimista e depressivo, o cineasta transfere suas agruras para suas obras. Geralmente o resultado acaba enchendo os olhos pela facilidade e o talento que ele tem com o visual, com as imagens, com a trilha sonora, com as mensagens subliminares...

“Melancolia” possui todas essas características de um filme de Trier. O grande problema é que ele por vezes perde o ritmo, entedia em certos momentos e a fica evidente que uns minutos a menos na duração seriam o ideal.

E também senti falta de alguma situação mais ousada. Será que Trier ficará mais comedido daqui em diante? (suspeito que não, seu próximo filme chamará “A Ninfomaníaca”).

Em todo caso, mesmo gostando mais de “Anticristo”, o fim dos tempos mostrado em “Melancolia” é mais assustador que um “2012” não conseguiu chegar perto de mostrar.

Esperem e assistam a cena final.

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