sexta-feira, agosto 19, 2011

ANTICRISTO

O CAOS REINA


Nada fácil falar sobre um filme que abre um leque gigantesco de interpretações.

Mas vamos lá...

O cineasta dinamarquês Lars Von Trier é um sujeito que nasceu pra ser polemico. Esse ano ele foi banido do Festival de Cannes devido às declarações sobre sua simpatia ao nazismo e a Hitler.

Obviamente era tudo uma brincadeira, de péssimo gosto e que ninguém quis engolir. Resultado: persona non-grata no Festival.

Seus filmes meio que retratam sua personalidade mal compreendida e são para poucos. Mas uma coisa é certa: é uma cineasta muito talentoso.

“Dançando no Escuro”, “Dogville” são produções sem meio-termos, é pra se gostar apaixonadamente ou pra se odiar ferozmente.
O mesmo tipo de coisa aconteceu com “Anticristo” (em Cannes grande parte do público saiu no meio da sessão e os poucos que ficaram aplaudiram), e é bom frisar que de nada bíblico o filme possuem referencias. Aparentemente, o título faz alusão ao livro de Nietzsche, que é famoso pelo seu teor anti-cristão.



Já de cara, na cena de abertura Von Trier nos deixa encantados com o apuramento técnico.
O prólogo é uma seqüência fantástica em preto e branco, de câmera quase lenta, onde vemos uma tragédia que vai se desenrolando pouco a pouco.

Logo em seguida, um casal (os incríveis Charlotte Gainsbourg, filha do famoso cantor Serge e Willian Dafoe ) tentam superar a perda do filho se isolando numa cabana localizada numa floresta.
Durante a estadia, somos bombardeados por cenas carregadas de simbologismo e de uma beleza ímpar.

Mesmo nas partes consideradas impróprias (e há sexo explicito, nu frontal e tal) a beleza de sua fotografia segue predominando e se sobrepondo a tudo.

Inclusive faço questão de mencionar o nome de Antony Dod Mantle, que fotografou “Anticristo” de uma forma perfeita e belíssima.

Há uma cena memorável, onde uma raposa comendo suas próprias vísceras olha para o protagonista e diz “O Caos Reina”.

Digo que entre tantas cenas de impacto, essa de longe é a minha preferida devido o o desconforto que ela causa, o semblante soturno da raposa “falando” é particularmente perturbante.


Pra mim foi o melhor filme que assisti no ano de 2009, Lars Von Trier disse que dirigiu “Anticristo” em processo de profunda depressão e exorcizou seus demônios através de seus personagens.
Sendo lorota do diretor ou não, uma coisa é certa: "Anticristo" é um fimaço!
Compartilhar:

0 comentários:

Blogs Brasil

Postagens populares

Total de visualizações

Google+ Badge

Arquivo do blog

Tecnologia do Blogger.

Pesquisar este blog

Seguidores