segunda-feira, novembro 10, 2008

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA


DE OLHOS BEM ABERTOS

Eu acho que foi um dos poucos que não gostou de "O Jardineiro Fiel". Gostei da direção de Meirelles, a fotografia sempre magnifica e atuação do elenco esforçada mas, pra mim o filme não tinha ritmo. Ele não "grudava" em quem estava assistindo, pelo menos não grudou em mim.
Decepcionante pois "Cidade de Deus" foi uma obra de grande impacto e esperava com certa expectativa que o próximo trabalho do diretor chegasse pelo menos perto da aflição que foi assistir ao filme anterior.
Mas definitivamente, "Ensaio sobre a Cegueira" mostra com todo esplendor e talento o que Meirelles pode fazer. Fazendo-me esquecer completamente a frustração que foi "O Jardineiro Fiel".
Ali eu reconheci o cineasta que me encheu de orgulho e mais, ele supera e muito, qualquer filme que esteja ainda em cartaz nos cinemas. Posso garantir, é cinema de qualidade que vale muito gastar nosso suado dinheiro no ingresso.
A trama, baseado no livro de José Saramago, que Meirelles conduz com vigor e firmeza, num ritmo que não para em qualquer segundo, é incrivel e assustadora ao mesmo tempo.

Numa cidade qualquer (locações em São Paulo, o que traz um diferencial bem vindo ao filme), uma estranha epidemia começa a contaminar a todos. À principio, os infectados ficam cegos, mas não uma cegueira normal e sim "a cegueira branca". Eles enxergam não a habitual escuridão de uma cegueira e sim uma luminosidade total nos seus olhos. É como se acendessem vários holofotes na sua cara.
Assustado, o exército decide hospedar os infectados numa clinica às moscas e decidem dar ordem de quarentena. Mas cada vez mais surgem novos casos e o lugar acaba ficando dividido por conta de interesses maliciosos de uma ala.
Daí em diante o que você acha o que acontece quando um grupo de pessoas ficam "presas" num local sendo que o mundo lá fora começa a virar um inferno?
Recentemente "O Nevoeiro" deu uma amostra disso, o remake "Madrugada dos Mortos" também abordou superficialmente mas daí então você começa a entender porque o ser humano está a um passo de cometer os atos mais nojentos e escrotos que você possa imaginar.
A ótima Julianne Moore, faz a única personagem que pode enxergar, se destacando entre os demais inclusive na atuação. Ela está perfeita.

Gael Garcia Bernal também consegue se superar fazendo um vilão, coisa dificil dele representar em quase todos seus filmes. Por isso também surpreende.
Mas a grande estrela aqui é o diretor de fotografia, é linda demais e condiz com a proposta do filme. Ora nos fazendo sentir como se fossemos um dos infectados, ora nos fazendo sentir como se fossemos a personagem de Moore. Tons claros, pasteis, são um deslumbre para os olhos.
Sem contar as cenas externas, e não é por ser paulistano não, mas ter filmado em São Paulo dá um outro aspecto a "Ensaio...".
Deixando algumas respostas no ar, o filme termina de forma muito satisfatória.
Fico feliz em saber que por trás dessa experiência claustrofóbica, revoltante e emocionante haja um compatriota.
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1 comentários:

Tiago disse...

EU AMEEEI ESSE FILME!!! SIMPLESMENTE PERFEITOOO! :D

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