segunda-feira, maio 21, 2018

CARGO

EXCESSO DE BAGAGEM

"Cargo" era um curta , que chamou muita a atenção e viralizou. 
A Netflix resolveu esticar a história e o resultado é decepcionante.
O caso clássico onde a transposição de algo feito para ser mínimo e eficiente, não consegue obter o mesmo resultado na versão alongada.
Pra que fazer então, né?
Martin Freeman é o pai que protege a sua filhinha recém nascida fofíssima do apocalipse zumbi. 
Mas dá pra contar nos dedos os zumbis que aparecem, portanto, não é difícil imaginar que a verdadeira ameaça será os  outros humanos sobreviventes.
Esqueçam se querem ver algo acelerado, com situações de perigo e aflitas. São poucas.
O foco será no drama, algo que já vimos na série "The Walking Dead", ou em filmes como  "A Estrada' e "Infectados", que focam no aspecto dramático de alguns sobreviventes  tentando viver num  mundo indo para o beleléu.
Acho uma visão muito interessante nesse sub-gênero apocalíptico, humaniza a história e maximiza a sensação de que realmente tudo ao seu redor esta ruindo a cada dia que passa.
Entretanto, não é bem isso que acontece em "Cargo".
Por mais que tememos pela segurança da garotinha, o filme, como um todo, não desperta absolutamente nada para quem esta assistindo. Nada é bem desenvolvido, e há personagens péssimos e atuações sofríveis (a bebê atua melhor que a garota aborígene) .
Se não há ligação com os personagens, pouco nos importamos para que rumo a história seguirá.
E ela seguirá num desfecho pra lá de desinteressante.
Pena é saber que quem esta por trás das câmeras, são os mesmo diretores do curta-metragem de 2013. 
NOTA___ 5,0

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sábado, maio 12, 2018

JOGADOR NÚMERO UM

NOSTALGIA SABOROSA

Puxa vida!
Eu estava morrendo de saudades do Spielberg pop, o mesmo homem de blockbusters divertidissímos como "Jurassic Park", "Minority Report"e "Tubarão", que parecia estar desaparecido, depois de tantos filmes inexpressivos e insignificantes.
Se há alguém que entende de filmes-espetáculos-eventos é esse homem.
Mas por onde andava? O que se passava em sua cabeça por fazer coisas do tipo "Ponte de Espiões" ou "O Bom Gigante Amigo"? 
Não eram produções a altura da genialidade do cineasta.
Eis que chegou "Jogador Número Um" e que tiro foi esse, Spielberg?
Baseado no livro de Ernest Cline, o filme pedia uma adaptação feita pelo "pai do E.T.".  
 O enredo era a cara dele, repleto de referências e homenagens à video-games, músicas oitentistas, animês e cinema. Seria perfeito para a volta do cineasta ao blockbuster, termo que ele inaugurou e criou, ao estrear produções clássicas  que viraram ícones mundias como "Contatos Imediatos de Terceiro Grau", "Indiana Jones" e "E.T.- O Extraterrestre".
Acompanhamos Wade Watts (Tye Sheridan), um garoto pobre e negligenciado pela família em 2045.  Um jogo de hiper-realidade virtual chamado OASIS é o vício do momento, uma fuga para muitos da madorrenta realidade em que vivem.
No mundo virtual, você pode ser quem você bem entender e depois que o criador do jogo morreu, espalhando três chaves que garantem a posse da industria que comanda o game, todos os jogadores do mundo ficaram em polvorosa, a procura de pistas para recuperarem as chaves e terem o poder.
Com Wade, se juntam mais alguns jogadores, como a habilidosa Artemis (Oliva Cooke) e o enorme Aech (Lena Waithe) e a partir do momento que essa turma começa a se destacar, um vilão surgirá para atrapalhar tudo.
"Jogador Número Um" não para e esbanja jovialidade de um garoto por trás das câmeras, e não um senhor com seus 70 anos.  São tantas cenas de cair o queixo, muitíssimos bem filmadas que fiquei assombrado.
Como explicar em palavras a passagem que se passa inteira dentro do Hotel Overlook de "O Iluminado"?
Ou então a corrida virtual que logo acontece no inicio, com participações especial de King Kong, dinossauro saindo do "Jurassic Park", e milhares e milhares de referências entre os automóveis (tem até o Cadillac Christine, o carro assassino), vestimenta dos personagens e os próprios transeuntes piscou-perdeu que surgem aos borbotões.
Freddy Krueger, Jason Voorhees, Bettlejuice, Gigante de Ferro, Chucky, os lutadores de Mortal Kombat e Street Fighter.... ufa! é preciso rever e rever para descobrir mais algum que passou batido.
Mas o pulo do gato é que em "Jogador Número Um", mesmo sem você pescar nenhuma homenagem, funciona perfeitamente como um descente passatempo.
Óbvio que funcionará muito mais para quem cresceu e consumiu tudo que a cultura pop pode oferecer entre os anos 80 e 90, Spielberg joga na sua cara uma tonelada de referências que são de brotar sorrisos nostálgicos em qualquer saudosista nerd.
Porém, caso você seja alguém que não tenha essa bagagem, a diversão será a mesma.
Spileberg esta bem vivo e demonstra que tem muita lenha cinéfila pra queimar!
NOTA 9,0


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sábado, abril 28, 2018

GABRIEL E A MONTANHA

O MENINO E O MUNDO

O encontro de um cadáver por dois agricultores é o inicio chocante de "Gabriel e a Montanha", logo mais saberemos que o corpo em questão é de Gabriel Buchmann, desaparecido há dias na região do Monte Mulanje, Maláui na África.
A trágica história ocorreu de fato em 2009, causando comoção pela trajetória do rapaz, que preferiu ir a fundo nas mazelas das regiões africanas, antes de ir para os EUA iniciar seu doutorado em politicas públicas.
O cineasta Fellipe Barbosa ( do ótimo "Casa Grande" ), amigo de infância de Gabriel, resolveu contar os ultimos dias desse viagem, e o resultado é de encher os olhos.
É de ficar extasiado pelo resultado tão positivo do filme, pois a sensação é a de que estamos realmente fazendo companhia para o rapaz nessa viagem, mas há uma angustia por saber do fatídico destino que o aguarda.
E esse caldeirão de sentimentos que "Gabriel e a Montanha" desperta é o resultado de muitos aspectos que funcionam adequadamente, seja na majestosa fotografia, a interessante trilha sonora (ora soturna, ora jovial) e na direção muito competente de Fellipe, vindo de um filme anterior que já era muito interessante.
Aliás, a decisão de percorrer praticamente todo o caminho de Gabriel, e estar nos mesmos lugares em que ele esteve, foi fundamental para que essa ligação e carinho pelo personagem fosse tão natural e que nos comovessem de alguma forma.
João Pedro Zappa e Carol Abras são os únicos atores durante o filme, os coadjuvantes (sejam eles os guias, moradores locais, motoristas) não são profissionais e realmente estiveram com Gabriel .
Essa linha invisível entre documental e ficcional funciona perfeitamente.
Zappa consegue de maneira muito realista interpretar um rapaz cheio de vida e energia, a ponto de ser irritante e irresponsável, muitas vezes, por ser tão imediatista. O roteiro entrega um Gabriel muito longe do idealista e deixa bem claro que não é livre de defeitos, e ao fazer isso, consegue humanizar ainda mais o personagem, fazendo o trabalho do ator ser mais difícultoso. Porém, o resultado, de novo, é ótimo. Excelente atuação.
"Gabriel e a Montanha" é emocionante e um belo exercício de investigação para as reais motivações do rapaz para aquela jornada. 
Seria uma viagem em um ano sabático de auto-conhecimento? Seria ele fugindo de algo daqui do Brasil? Ou apenas desbravar o mundo?
São questões que não serão respondidas facilmente ou talvez tudo estava incluído nessa viagem de Gabriel.
NOTA 9,0

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sexta-feira, abril 20, 2018

COM AMOR, SIMON

REPRESENTATIVIDADE

Simon é o típico garoto das famílias de comercial de margarina. Tem pais compreensivos e "prafrentex", tem seu próprio carro, mora numa confortável casa, tem ótimos amigos... mas é gay!
E o mais complicado, como saber a hora de contar para amigos e familiares?
É algo que , toda pessoa LGBT, acabou se perguntando e se questionando em alguma passagem da sua vida.
É essa é a grande  identificação que "Com Amor, Simon" traz. 
Baseado no livro de Becky Albertalli, o filme acaba sendo uma divertida (e também reflexiva) história sobre a descoberta da própria sexualidade e como lhe dar com ela, quando seria o momento ideal de dizer algo tão íntimo e seria necessário realmente dizer?
O problema aqui é que Simon (Nick Robinson) é chantageado quando alguém descobre que ele mantêm correspondência com outro garoto homossexual. 
Disposto em acobertar toda a verdade, acaba se envolvendo em várias situações complicadas.
Afinal, manter-se na zona de conforto seria mais seguro, não?
Com uma linguagem  bem juvenil e sem abrir mão de momentos engraçados, "Com Amor, Simon" acaba se destacando nessa leva de filmes baseados em livros "young-adults", personagens gays eram sempre vistos como meros coadjuvantes (ou nem mesmo existiam) e seus questionamentos tomando forma em uma produção pop é de se comemorar.
Lembro de filmes recentes como "Me Chame pelo seu Nome", ou "Azul é a Cor mais Quente", que já lidam com personagens protagonistas gays se descobrindo, no entanto, a vibe é outra, nada comercial.
Lembrei também de um filme chamado "Será que Ele É?", onde um Kevin Kline fazia de tudo para desmentir a sua possível homossexualidade, as vésperas do seu casamento.
"Com Amor, Simon" talvez tem o mesmo clima, não tem medo de ser popular e positivo, e o melhor, conversando diretamente com o seu público alvo , que são adolescentes.
Não que "Com Amor, Simon" seja um filmaço, mas acho que a representatividade é tão fundamental e sim, pode salvar vidas em um momento tão complexo como é a adolescência.
Assumir a sexualidade na vida real pode ser sim algo muito dificil para muitos, e nem todos tem a vida tão "perfeita" como a do garoto da história.
Mas só de assistir um filme, com uma positividade tão grande, já seria um alento e tanto, assim como Simon sentia ao receber as mensagens de seu correspondente misterioso.
NOTA___ 8,5


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domingo, abril 15, 2018

TERRA SELVAGEM

MISTÉRIO NA NEVE

O corpo de uma garota é encontrado por um caçador numa reserva indígena, num local particularmente inóspito e coberto de neve.
Há marcas de abuso, e com a suspeita de que houve um assassinato , o FBI entra em ação.
"Terra Selvagem", dirigido por Taylor Sheridan (roteirista de "Sicario" e "A Qualquer Custo") pode parecer mais um filme de investigação.
Mas esta muito longe disso.
O belo roteiro vai muito além do descobrimento do crime.
A começar pelo personagem de Jeremy Renner (que esta notável!), um cawboy caçador tentando ainda lidar com a dor e com o seu luto.
É ele que descobre o corpo da garota, que é muito parecida com sua filha.
Seus dialagos a respeito do sofrimento é de cortar o coração, gestos e olhares de Renner contribuem para essa verdade.
Frio por fora e  um turbilhão de sentimentos dentro de si. Ótima atuação.
E frio é o que quase que se sente junto com os personagens, as paisagens dominadas por branco sem fim e as montanhas gélidas do Whyoming, lindamente filmadas por Sheridan, contribuem para dar esse aspecto de que ali é um lugar desacolhedor, fazendo também um contraponto com a visceralidade dos sentimentos, supostamente encobertos pela brancura da neve.
Há também  denúncia sobre a violência contra a mulher, principalmente a mulher indígena, mostrado de forma como o FBI trata o caso com desdém, enviando uma agente inexperiente (Elizabeth Olsen) e completamente despreparada para enfrentar a inospitalidade do lugar.
Ou mesmo, ao seu final, afirmar que a maioria das mulheres nativas assassinadas ou desaparecidas nos EUA, tem seus casos não  esclarecidos.
"Terra Selvagem" entrega muito mais do que uma sinopse poderia sugerir, e esses assuntos em volta da espinha dorsal do roteiro, se encaixam perfeitamente, não estão ali para encher linguiça e, para ser sincero, acabam sendo muito mais interessantes que a resolução do assassinato.
NOTA___ 8,5


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sexta-feira, março 23, 2018

ANIQUILAÇÃO

BELA ESTRANHEZA 

Há alguns anos, algo caiu na Terra, e a partir desse impacto, um forma cintilante cresce cada vez mais e mais. 
Algumas pessoas entraram na área atingida e poucas retornaram.
E uma delas é o marido de uma Bióloga (Natalie Portman), mas sua volta é repleta de mistérios e ele rapidamente fica gravemente doente.
Uma nova equipe é formada para explorar o local, e a Bióloga embarca junto com mais quatro  mulheres, todas especialistas em alguma formação cientifica.
Baseado no primeiro livro da trilogia de Jeff Vandermeef, "Aniquilação" ganhou uma complexa adaptação nas mãos de Alex Garland (Ex-Machina), já conhecido por não entregar nada de mão beijada, seja pelo filme anterior que dirigiu, ou como roteirista.
Quando as mulheres adentram na chamada zona dominada pela forma cintilante, a estranheza toma conta da percepção das personagens, (e por consequência, a nossa que estamos assistindo), seja por conta das alterações e mutações na flora  e fauna , seja pelas próprias que sentem que elas mesmas estão 'mudando' de alguma forma.
É a partir daí que a apreensão toda conta da narrativa, pois além de termos uma terrível ideia do que ocorreu com as equipes que permaneceram no local, a própria incerteza de que também ocorrerá agora com elas, deixa "Aniquilação" próxima a um filme de terror dos bons.
O crescente flerte com a "weird sci-fi" (o que torna o filme todo singular),  se assume, próximo do desfecho, uma autêntica ficção científica cerebral e profunda.
Decifrar "Aniquilação",  é provavelmente, um esforço divertido, ainda mais quando você esbarrará com muitas teorias sobre suas analogias e o final instigante.
Mas gostaria de ressaltar o quanto gostei de ver mulheres protagonizando um filme de terror/sci-fi/suspense. 
"Abismo do Medo", também tinha uma equipe de moças explorando bravamente um lugar inóspito e enfrentando criaturas horríveis, e desde então, nada de muito relevante  nesse gênero, que gosto muito, surgiu com um elenco feminino poderoso à frente.
Mas além da bem-vinda representatividade feminina num gênero dominado por testosterona, "Aniquilação" , inevitavelmente, ficará rondando sua cabeça por dias a fio.
Se sua praia são produções que causam nós na mente, então esse filme é obrigatório.
NOTA___ 8,5



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quinta-feira, março 15, 2018

O FORMIDÁVEL

O ARTISTA

Jean-Luc Godard é um daqueles cineastas que se tornaram mais do que simples cineastas. Envolto por uma áurea de genialidade e intelectualidade extraordinária, Godard se tornou um dos ícones da 'nouvelle vague' e a adoração de muitos cinéfilos.
"O Formidável" tenta humanizar  essa figura, baseado nos relatos de sua ex-mulher Anne Wiazemsky, que se tornou um livro chamado "Um Ano Depois".
É um período de inquietude para Godard, de insatisfação tanto quanto da sua carreira e também de tudo o que acontecia politicamente na França.
Mas o diretor ficou atento à vida pessoal do cineasta, sua vida com amigos e principalmente a relação com sua mulher, Anne.
Acompanhamos a relação do casal, ele alguns anos mais velho do que ela, em meio as constantes questionamentos e pedantismo do cineasta, que de encantador e charmoso inicialmente, vai se tornando ranzinza, e cada vez mais difícil de se conviver.
Mas não é o caso de personagem de apenas uma tonalidade, seria muito fácil conduzir uma caricatura  da já fama de arrogante de Godard.
E o que vemos é alguém com muitas características, e lindamente humanizada por Louis Garrel, que esta muitíssimo semelhante  e dá muitas singularidades ao cineasta.
Michel Hazanavicius ( de "O Artista") brinca com a linguagem peculiar de Godard e rende cenas maravilhosas. 
Até os discursos em frente á câmera é utilizado, e o diálogo entre o casal , verbalizando algo, mas querendo dizer outra coisa nas entrelinhas, é uma graça.
Há também um humor muito bem vindo (os óculos sempre destruídos é realmente engraçado), auto referência e uma super desencanada cena de nudez de Louis Garrel e Stacy Martin.
Sei que será difícil, mas tentem prestar atenção no que eles dizem, nessa cena específica.
Eu achei, formidável!
NOTA___ 8,5


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sexta-feira, março 02, 2018

COM AMOR, VAN GOGH

OBRA DE ARTE

Vou chover no molhado e reproduzir o óbvio, é estonteante o visual de "Com Amor, Van Gogh", todas as cenas são 'pintadas à óleo', imitando o estilo característico do artista, um trabalho que levou anos para ser feito, e o resultado simplesmente é impressionante.
É uma técnica de animação parecida com a rotoscopia, filmes como "Waking Life"e "O Homem Duplo" já tinha utilizado, mas o estilo de "Van Gogh" é inédito.
A sensação é de que estamos vendo suas obras de arte ganhando vida, quadros em movimento, requintes de detalhes para suas verdadeiras pinturas, uma homenagem  que seus admiradores logo reconhecerão.
Mas, tanto primor artístico, escorreria ralo abaixo, se o filme entregasse um roteiro capenga e desinteressante, certo?
Felizmente, não é o que acontece aqui.
Um ano após a morte de Van Gogh,  Armand Roulin (Douglas Booth) é encarregado pelo pai carteiro, a entregar a última carta do artista holândes a seu irmão, Theo Van Gogh.
Porém, Armand passa a cada vez mais se interessar e investigar o suposto suicídio, conversando com diversas pessoas que interagiam com Vincent, e a visitar locais onde ele viveu e morreu.
A partir dessa investigação, o filme aproveita para esmiuçar um pouco da vida do pintor, que tinha problemas mentais (aparentemente depressão e transtorno bipolar) e vivia atormentado por sua má reputação, de maluco e bêbado inveterado.
O reconhecimento de sua genialidade, só veio, como sabemos, depois de sua morte.
Indicado ao Oscar 2018 e a outros prêmios cinematográficos importantes, "Com Amor, Van Gogh", consegue nos instigar com sua trama, a nos interessar cada vez mais pelo artista, sem nunca ficar enfadonho. 
Por mais que sua deslumbrante parte técnica salte nos olhos e é de se maravilhar, o cuidado com o roteiro também é de se notar, não ficando desigual e, portanto, uma experiência frustrante de assistir.
NOTA ___8,5

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terça-feira, fevereiro 20, 2018

LADY BIRD

LADY BORING

Quando, algum tempo atrás, foi noticiado que "Lady Bird", o primeiro filme de Greta Gerwig ("Frances Ha") ganhou o título do filme mais bem avaliado num site famoso sobre críticas , eu fiquei empolgado.
Puxa! Eu já ia com a cara de Greta, desde os tempos do adorável Frances Ha, e esse aval dos críticos fez crescer o hype em mim.
Ledo e terrível engano.
Filmes sobre adolescentes se preparando para a vida adulta, ou como os americanos gostam de dizer "coming of age", já foi contada e recontada diversas vezes. E novamente, nos deparamos com uma adolescente (chatérrima), morando numa cidade que odeia, as voltas com seus primeiros problemas e primeiras experiências amorosas, sexuais e familiares.
Tudo é contado numa apatia e de uma forma tão desanimada, que me senti ludibriado pela ovação dos críticos e pelas indicações aos prêmios cinematográficos.
Primeiro, antes de mais nada, cadê a Greta Gerwig na direção? Senti que se houvesse um marreco no lugar dela, não faria a menor diferença.
Além da letargia da agora diretora, "Lady Bird" é acometido por um marasmo mortal, não se aprofunda em absolutamente nada do que sugere, e acha que a protagonista é muitissimo interessante para ser acompanhada por nós. Não é.
Nem Laurie Metcalf, a única realmente boa no elenco, consegue salvar da indiferença completa que o filme causa. Saoirse Ronan nem vou falar nada....
A graça na banalidade, no ordinário da vida, o que "Lady Bird" pretende ser, fica só na vontade. Fica claro o quanto Greta esta perdida, tentando achar um tom pessoal  para sua produção, sem sucesso. 
Mas, com a adulação e bajulação que conquistou, posso dizer que daqui a alguns filmes, poderemos ver realmente qual é a de Greta Gerwig mesmo. 
Por enquanto, essa sua estréia como cineasta, não passa de um rascunho de alguém que acha que tem uma puta história para contar.
NOTA 5,0

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quarta-feira, fevereiro 14, 2018

TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME

TRÁGICO & CÔMICO

Eu preciso confessar algo.
Adoro quando um filme, de alto teor dramático, consegue inserir cenas cômicas, e não deixar o humor ficar desencaixado ou incoerente com o restante da trama. 
É o rir da própria desgraça.
"Três Anúncios para um Crime", poderia pender para o dramalhão daqueles que a gente morre de tédio, e é tudo o que não acontece aqui.
Mildred (Frances McDormand) decide alugar três outdoors abandonados, e ali expressar sua indignação a respeito da não solução do estupro de sua filha.
O xerife Willoughbt (Woody Harrelson) é quem esta encarregado de investigar o crime, mas há meses que nada foi solucionado.
Conseguindo chamar a atenção da pequena cidade com seus anúncios, Mildred enfrentará a desaprovação da população de onde mora, e desencadeará situações indigestas.
Há ainda o policial Dixon (Sam Rockwell), sujeito asqueroso e agressivo, que ficará no caminho de Mildred, à principio a  atrapalhando, mas o destino reserva algo a ele...
É preciso dizer que "Três Anúncios para um Crime" tem um elenco  em que todos, eu disso todos, estão estupendos.
Sam Rockweell esta nojento, andando trôpego e falando mole. Criou perfeitamente, fisicamente, um ser desprezível, condizente com a índole deturpada do personagem. E quando há uma modificação, o ator também brilha e consegue humanizar aquela criatura. Perfeito.
McDormand, para variar um pouco,  entrega uma atuação incrível, alguém do  mundo real, uma mulher imperfeita, amargurada, grossa, bondosa, engraçada. 
Enfim, gente de verdade.
E é essa a sensação que o filme passa. Que estamos vendo gente de verdade, por mais que tenha situações que beiram a irrealidade, há gente de carne e osso ali.
O diretor Martin McDonaugh, consegue com destreza, inserir com humor ácido, sua mensagem de forma bem clara. O preconceito velado (ou não tão assim) a negros, estrangeiros (no caso, mexicanos), gays , presentes em muitos americanos.
Sem desfocar sua complexa e imensamente interessante personagem principal e o seu objetivo. Encontrar o assassino de sua filha e que ninguém esqueça o que ocorreu.
NOTA ____9,5

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